:: eu

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco sem parentes importantes e vindo do interior...
Onde e quando nasci: há 28 anos, em Cachoeira do Sul (RS)

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Esporte: futebol e F 1

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sexta-feira, dezembro 31, 2004



Fui hoje finalmente ver os documentários "irmãos" Entreatos de João Moreira Salles e Peões de Eduardo Coutinho.

Como já demonstrei aqui em outros momentos, tou numa puta crise com o PT e com o Lula, além de outras coisas mais. Uma relação de filiação, dedicação, com quase 11 anos está por um fio. No entanto não significa que passe a negar o que representou Lula e o PT na história do Brasil, na minha história, do quanto isso tudo é bonito, do quanto representa muita coisa.

Vi exatamente na ordem em que devem ser vistos os filmes: primeiro Peões, que mostra depoimentos de militantes daquela época, anônimos, daqueles que se sacrificaram junto com Lula para fazer as greves e movimentos que mudaram a história do Brasil. É emocionante perceber ali o quanto vidas mudam junto com o andar da história, que são aquelas pessoas, tanto quanto Lula, que fizeram aquelas coisas acontecerem, deixando os filhos em casa, perdendo o emprego, essas coisas que o sacrifício faz, com quem percebe que tem um mundo na volta a ser mudado, ao preço que for...

Depois em Entreatos vem Lula. Curioso, mas se percebe que é o mesmo homem. No primeiro filme aparece muito forte o fato de que aquele líder sindical tinha uma personalidade forte, um carisma brutal, um certo autoritarismo e personalismo que o andar da carruagem comprovará. Em Entreatos se vê o quase-presidente, o homem fascinado com camisas e gravatas, o homem que gosta do poder, o homem que ascendeu socialmente, que mantém a saudade dos amigos, uma simplicidade comovedora, mas o homem que gosta de ser o que é: poderoso, classe média-alta, celebridade, "político" no sentido popular da palavra. Nesse filme, muito interessante, aparecem as técnicas de convencimento do marketing político, diálogos que revelam mais que discursos, cenas em família, papos de alcova com os próximos, como Zé Dirceu, Mercadante. Cenas instigantes, pra dizer o mínimo.

É estranho, mas em minha crise os filme disseram as mesmas coisas que eu já sabia, nada de novo.


:: por Marcio | 01:35




quarta-feira, dezembro 29, 2004

Festas

Estive diversos dias afastado de Porto Alegre, visitando a família em Pelotas. Foram bons dias esses, em que estou de folga do meu quase ex-emprego.
Revi amigos que há muito não via - e pessoas queridas demais pra mim, como Andréa, Manoel, Maneca, Bibiane. Fizemos um churrasco na beira do Laranjal, em meio ao vento, essas coisas da nossa adolescência, no lugar onde dei meus primeiros beijos, tudo isso. Foi bom, com uma emoçaozinha batendo forte, algumas lágrimas saindo - o que não é raro em mim. E já dentro do ônibus pra voltar, senta a Ana Dias do meu lado, a grande Ana, uma das grandes mulheres que conheço, das grandes amigas e que vejo pouco.
Foi bom isso tudo. Agora é adaptar ao óculos novo, sempre complicado e estranho adaptar a um óculos novo, quando varia o grau pra mais. E curtir mais uns dias de paz, até a volta de toda a rotina.

Ah: Feliz 2005 pra todos nós!


:: por Marcio | 23:12




quarta-feira, dezembro 22, 2004

Sorvete de café com leite...

... parece muito estranho. Eu também achei. Mas é, antes de tudo, uma delícia.


:: por Marcio | 21:02




segunda-feira, dezembro 20, 2004

de como Cazuza fala aos dias atuais...

Fui numa reunião sábado, dessas grandes, em que Cazuza foi citado várias vezes. E ele fala aos dias atuais, afinal... Especialmente aos rebeldes.

a tua piscina tá cheia de ratos
tuas idéias não correspondem aos fatos


Tem sido duro encarar a realidade. E seguir em frente em meio a isso, sem ficar parado esperando que mexam o mundo por ti, significa uma série de coisas que nem todo mundo se dispõe: romper com anos de vida, com amigos, com grifes, com alguns benefícios até, que todos acabam tendo...

ideologia
eu quero uma pra viver


Mas como a luta política é dura mesmo, sempre foi, sempre será, temos de estar sempre prontos a começar tudo do zero, contando com uns poucos, corajosos... O que não é possível é abrir mão da dignidade, dos valores que sempre te guiaram e que já estão lá, na tua frente, já foram... se tu não for atrás deles, tu abriu mão, tu já não tem todas as vértebras... E de seres invertebrados se faz a má política, não a minha...

enquanto houver burguesia
não vai haver poesia


É, Cazuza fala muito à crise dos dias de hoje. A mim ele tem falado... O meu drama, no entanto, é que não são meus inimigos que estão no poder. São meus amigos... Ou os que sempre foram...


:: por Marcio | 15:13




domingo, dezembro 19, 2004

Violência, má educação...

Fui hoje ao último jogo do Inter na temporada, pra fechar um ano em que retomei minha freqüência aos estádios. Tomei uma tempestade antes de chegar, de torcer as meias, camiseta, tudo... até achei que ia gripar, mas depois o tempo abriu, cheguei em casa seco e livre de qualquer resquício, fora o cansaço, a asa, essas coisas.

Mas as notas são pra má educação, pra incivilidade:

- quando estava voltando, T2 lotado, uns garotos do fundo do ônibus provocaram um cara numa das paradas de ônibus por onde passamos, com camisa do Grêmio. Resultado: o rapaz, talvez revoltando com o fiasco do seu time, o pior do ano, jogou um tijolo no ônibus: vidro quebrado, pessoas levemente machucadas, mas o pior é o pânico de ver isso acontecer, ônibus em movimento e o temor de que sempre poderia ter sido pior;

- no supermercado, quase chegando em casa, estava já entrando no caixa para largar minha compra, com a calma que cabe a um domingo e fui atropelado por um carrinho de uma senhora, cheia de compras que, talvez por isso, creia ter a preferência sobre um chinelão com camiseta de futebol, pobre... tenho tido um pouco de nojo de ter que frequentar um mercado onde frequenta a classe A, basicamente, com suas ostentações e arrogâncias típicas...


:: por Marcio | 19:41




quinta-feira, dezembro 16, 2004

Não é todo dia...

... que tenho comprado CD. Mas ontem entrei numa loja das Americanas(que por sinal me remeter a compras de infância, tem um sabor qualquer de nostalgia, além do preço baixo que vez que outra me leva a olhar...) para comprar sabonetes, desodorantes e coisas em que suas promoções são interessantes e dei de cara com um balaio de CDs em promoção. Acabei parando para olhar e topei com Gol de quem? do Pato Fu, um disco que eu já tinha comprado e sido aliviado, nessas mudanças da vida - e foram muitas. R$ 9,90. Menos que isso impossível. Tinha no bolso, comprei. Que coisa prazerosa é ouvir Pato Fu! Esse disco - o segundo, ao que me consta! - tem algumas das melhores músicas do grupo, tipo "Qualquer bobagem" e "Sobre o tempo", sem contar as versão para "Ring My Bell", "Volta do Boêmio" ou "Ob-La-Di-Ob-La-Da". Muito legal...


:: por Marcio | 07:51




quarta-feira, dezembro 15, 2004

Outro foco... grandes verdades...

Eu consegui terminar de ler um livro extenso, denso, cansativo, mas frutífero: Tornar possível o impossível, da Marta Harnecker, cientista política chilena radicada em cuba desde o golpe que levou Pinochet ao poder. Eu tinha comprado esse livro há exatos quatro anos, lido partes, parado, voltado ao início e só agora realmente terminei sua leitura, muito produtivamente. O livro aborda desde o funcionamento atual do capitalismo até a construção de alternativas. É um livro pré-Fórum-Social-Mundial, mas isso muda pouca coisa da verdade das palavras que ela coloca como conclusão. Servem como boa leitura para quem vê ruir o sonho de mudar o Brasil através do PT e ainda não sabe bem por onde caminhar. Mas se vê que é importante caminhar...


:: por Marcio | 08:16




domingo, dezembro 12, 2004

Início do fim de ano

Ontem teve o churrasco de fim de ano do trabalho. Eu sempre gosto dessas ocasiões: ver as pessoas que você não aguenta mais do dia-a-dia de outra forma, com mais naturalidade, espontaneidade. E foi quase uma despedida, já que fica lá até final de fevereiro. Um dia bom, o de ontem.


:: por Marcio | 19:26




terça-feira, dezembro 07, 2004

A boa notícia que eu gerei...

... foi ter conversado hoje com meu chefe e encaminhado minha saída do trabalho.

Minha vida começou a mudar hoje. Pra melhor.


:: por Marcio | 23:56




segunda-feira, dezembro 06, 2004

Coisa doída qualquer

Não tenho condições de me entender sozinho. O certo é que estou cansado demais de não dinheiro nem sexo nem amor nem um monte de coisas importantes pra se viver feliz. Satisfação no trabalho, por incrível que pareça, é uma dessas coisas. Ainda mais quando o trabalho é absolutamente vinculado à sua militância política e essa é uma coisa na qual você apostou fichas, sacrificou coisas, fez e aconteceu por elas. Quando suas idéias não funcionam, quando você desconfia de tudo, quando tudo parece perdido, esse é o momento em que dá vontade de parar. Quando você está precisando de férias e ninguém fala contigo sobre elas, tudo isso vai te deixando quase que perto da depressão...

E eu bem que tenho tentado fugir disso: tou tentando emagrecer, tou caminhando duas ou três vezes por semana, tudo o possível pra me sentir gente, me sentir parte de alguma coisa, nem que seja do meu próprio mundo, um pouco melhor... Sábado fui conhecer uma pessoa, depois de tanto tempo sem o uso dessas coisas da Internet, chats e coisas e tal... E foi bom: um carinha gente boa, qualquer coisa de encantador no seu surpreendente charme. Mas as chances de qualquer coisa não parecem existir e eu só consigo me sentir gordo, chato, atrapalhado, estorvo, barrigudo, pedante, etc, etc...

Como fazer pra sair desse redemoinho de problemas e tristezas e...? Se tudo começaria por uma análise que não posso pagar, por roupas melhores que não posso ter, por festas que não posso ir, por uma academia que não posso fazer, por um trabalho que me pagasse mais, enquanto o que me apontam é um trabalho que me pague menos, a partir do ano que vem...


:: por Marcio | 14:47




sábado, dezembro 04, 2004



O auto-presente

Aproveitei o único momento em que tenho algum trocado para já comprar o meu auto-presente de final de ano: Romances e contos reunidos de João Gilberto Noll, um volume de 700 páginas, a R$ 70. Fazia horas que eu namorava esse livro na internet e não tinha coragem de comprar. Pois o fiz e depois fui verificar, era o último exemplar! Dai sim vi o quanto tinha dado uma dentro. Muito bom. O livro já chegou e é sensacional: tem seis romances e um livro de contos dentro dele, incluindo um artigo longo sobre a obra dele e alguns contos publicados em jornais. Sensacional!


:: por Marcio | 14:31




terça-feira, novembro 30, 2004



E na minha busca incessante por novas influências, novas formas de fluir o verbo e contar a vida, descobri mais um autor que me empolga, pelo texto e pela personalidade curiosa: João Antônio, cujo livro Abraçado ao meu rancor termino de ler agora, assim que desligar aqui.

João Antônio Ferreira Filho(1937-1996) reivindica Lima Barreto como grande influência e, como ele, se expressa, como ele viveu: a linguagem das ruas, a intensidade, a defesa dos fracos e oprimidos do dia-a-dia, seja no Rio dos anos 10, seja na Sampa dos anos 60/70, onde João calcou sua obra; na vida real, as identidades seguem: uma revoltante constante contra a crueldade e injustiças do mundo, uma vida desregrada, alcoolismo.

Gostei e, como outros autores que têm me pautado - Noll, Caio - quero mais, logo. Na veia, de preferência!


:: por Marcio | 23:59




segunda-feira, novembro 29, 2004

A burrice dos outros

Eu vou falar de futebol, mas apenas para ilustrar uma crítica, não se apavorem os "futebolofóbicos".

Ocorre que a violência no futebol é um problema dos dias atuais, assim como qualquer tipo de violência, certo? E quando ocorrem jogos em que duas torcidas comparecem, é necessário construir formas de evitar que se cruzem e, com isso, incorram em brigas.

Só que por algum motivo estranho à lógica, um dos meios para isso é manter a torcida visitante trancada no Estádio adversário de quinze a trinta minutos após o final do jogo, fazendo com que os donos da casa saiam antes. Só que isso tem um pequeno problema: os donos da casa - sempre em maioria, normalmente maioria acachapante, além de conhecer muito melhor o terreno - costumam encurralar frequentemente a saída dos visitantes. Logo, a medida é questionável, não funciona. Especialmente se o número de torcedores visitantes é grande o suficiente para não poder ser escoltado pela polícia.

Na semana passada, o meu Inter
jogou na Argentina, na primeira de duas partidas eliminatórias pela Copa Sul Americana. Quarta-feira, ocorre o chamado jogo "de volta", em que finalmente se decidirá quem segue para a final da dita Copa. E lá, se viu que o que acontece é o contrário: os donos da casa ficam no Estádio por trinta minutos, tempo para a torcida e o time visitante arrumar as malas e se mandar. Quem em ampla minoria quiser esperar o outro pra pegar na saída, bom... merece! É interessante, pensei então "poxa, poderiam adotar isso por aqui..."

E resolveram fazer mesmo, mas JÁ AGORA, na quarta. Qual a minha bronca? As mudanças de regras tão bruscas exigem estudo, pois afetam as pessoas reais, a vida real... Só que um burocrata acha uma idéia bonita e sai a executá-la! O jogo de quarta reunirá cerca de 50 mil torcedores do Inter e uns mil do Boca Juniors. Começa por volta de 22h e termina 23h50. Os jogos nesse horário no Beira-Rio tem sempre a mesma dinâmica: no final, é um desespero da massa correndo para pegar os últimos ônibus para os bairros e cidades vizinhas - isso, pro subúrbio. E agora, tendo que ficar até 0h30 trancados, como as pessoas vão fazer? Ou seja: mais uma medida pensada por algum burocrata que depois do jogo vai pegar sua Mercedes e vai pra casa tomar seu uisquinho e ver a Ana Paula Padrão mostrar os gols, enquanto a choldra se fode caminhando por uma ou duas horas até chegar em seu barraco na feriferia.

A burrice mais revoltante não é a da gente, não: é a do burocrata insensível!


:: por Marcio | 22:15






A minha burrice

Há algo capaz de deixar alguém mais frustrado que ficar em exame por questões que são fáceis, que você, na correção que o professor faz, observa o quanto você poderia ter respondido aquilo que ele pediu, tava caindo de maduro? Pois foi isso que me aconteceu! Consegui tirar 1,0 numa prova óbvia. Resultado: nova prova, com toda a matéria do semestre, segunda-feira que vem.

A mais imperdoável das burrices é a da gente mesmo...


:: por Marcio | 22:10




quinta-feira, novembro 25, 2004



Eu agora vi! Depois de duas semanas em cartaz, fui ver Má Educação, o mais novo Pedro Almodóvar, com o excelente Gael Garcia Bernal.

O filme é tão bom que quase passa desapercebidas as perfomances sexuais de Gael. Eu só não afirmaria isso porque ninguém iria acreditar. Claro, é uma grande mentira: ver aquele homem dando é uma coisa de outro mundo, excitante, inesquecível ou qualquer coisa assim, especialmente para quem está na falta, como eu.

Mas falando sério, gente: eu adorei o filme, como sempre se gosta dos filmes de Almodóvar, que são ágeis, com bons atores, cenários fascinantes, filmes que abordam temas atuais, sem medo e que sempre nos surpreendem no final. Esse filme não decepciona nessa regras todas, mesmo não tendo o brilho de Tudo sobre minha mãe, que será sempre o filme dele - e não só dele - que mais me marcou, pela qualidade e pelo momento pessoal que vivia.

Mas em tempos de vacas tão magras no cinema, esse filme simplesmente fascina.


:: por Marcio | 21:03




segunda-feira, novembro 22, 2004



Os prazeres da Casa Grande

Minha avó e minha tia foram viajar e, com isso, me instalei na parte da frente da casa - eu moro nos fundos, num "puxadinho". Nisso, estou com internet e usando o vídeo, que é uma coisa sempre boa pras horas vagas...

Pude ver ainda na semana passada Garota, interrompida, com Winona Ryder e Angelina Jolie, que ainda não tinha visto. Muito bom, como o são muitos dos filmes sobre insanidade que já vi - ainda assim, não se encosta em Estranho no ninho e Spider, o melhor de todos sobre loucura.

E no final de semana vi dois filmes que me decepcionaram:

Ken Park é dirigido pelo mesmo Larry Clark, de Kids, que foi um filme que gostei muito, por inovador, por chocante, por várias coisas. Mas Clark mantem a mesma fórmula em todos os filmes, acaba cansando. A crueza por vezes é desnecessária, a tal ponto ele põe...

E Plata Quemda, que até é um bom filme - conta a história dos "Gêmeos", dois amantes que assaltaram um banco junto de outros parceiros e, numa sequencia impressionante de cagadas, vão sendo cercados. É uma história fascinante, mas especialmente no livro de Ricardo Piglia. O filme é bom, mas talvez esperava bem mais... Ainda assim, vale...


:: por Marcio | 13:10




quinta-feira, novembro 18, 2004



Ontem fiquei em casa, gripado. Na falta de energia para qualquer outra coisa, fui buscar dois filmes. Um deles visto ontem, já: Amores Perros, de Alejandro González Iñarritu, que lançou o diretor e talvez tenha sido um dos motivos para a consagração do lindo Gael Garcia Bernal, que é um dos protagonistas.

O filme é sensacional, das melhores tradições do bom cinema e mesmo da boa literatura moderna, com uma montagem sensacional, com personagens ricos, situações excitantes. Um excelente filme, cru como a vida é. Me lembrou um pouco Nélson Rodrigues, nas suas melhores coisas.

E estou a cada dia mais apaixonado por Gael...


:: por Marcio | 08:45




terça-feira, novembro 09, 2004



Cada fonte diz uma coisa. Há pouco a morte de Yasser Arafat tinha sido anunciada. Agora é negada de novo. O fato é que ele está em estado crítico. Se ainda não faleceu, o líder palestino irá expirar em breve.

É sempre complicado emitir opiniões quando se está distante de uma realidade dada. Mas quem se preocupa para além do umbigo, procura saber, acaba tendo uma posição a priori. No caso da Palestina, não há como não ser solidário com um povo pobre, que luta com bodoque contra tanques. Há exageros, terrorismo, isso, aquilo, mas há dos dois lados, tanto de palestinos como dos israelenses. Não sou anti-semita, tenho sempre cuidado ao ler sobre a situação em razão disso. Tenho até alguma simpatia curiosa por determinadas coisas do judaísmo. Enfim, eu gostaria é que não acontece a opressão de um povo pelo outro, seja onde for. E se tivesse que lutar de um lado, eu estaria atirando pedras em tanques. Mas creio que não teria coragem para isso.

O que tenho a falar sobre a morte de Yasser? Era um sujeito que conduzia a luta desse povo oprimido na luta contra Israel, contra os Estados Unidos, por tabela. Com erros e acertos, conduziu por décadas a vida do povo. E sua morte causará sério recrudescimento na situação aparentemente insolúvel daquele guerra permanente.

Ou seja: as notícias não são boas, em lugar algum. Êita mundo que tá mal esse...

Esses são dias desleais...


:: por Marcio | 11:50




segunda-feira, novembro 08, 2004

Mais notícias da Feira do Livro

Sexta era um dia de chuva intensa. Ainda assim, a Praça da Alfândega estava lotada de gente, era quase impossível caminhar: onde não tinha gente, tinham poças d´água. Tinha que passar por lá, mesmo correndo: ia viajar logo pra Pelotas, ver meus pais, descansar, planejar-meu-futuro-com-as-mudanças-que-virão. Mas meus colegas de Oficina Literária estavam autografando a antologia 101 que contam, mais uma vez(o lançamento foi há duas terças atrás, numa bela festa no Opinião. E Charles Kiefer autografava A poética do conto, um livro de teoria do conto, a partir da sua tese de doutourado. Está lá, na lista da cabeceira(agora, com cama montada, eu tenho realmente um espaço a ser chamado de cabeceira).

O que mais me impressiona é que Noll, Kiefer e outros mais, não formam grandes filas: tem um público, são respeitados, creio que isso deve lhes bastar. Mas ainda assim, acho injusto: a fila da semana, talvez o livro mais vendido da Feira será, mais uma vez, um livrinho com cem ou duzentas receitas do Anonymus Gourmet. Com todo o respeito, mas acho isso um sinal da pobreza de horizontes em que vivemos num Estado que adora estufar o peito e se dizer "o mais culto", "o mais politizado", "o mais-a-porra-que-estiver-em-pauta".

Por isso que eu não tenho problema, mas também não fico me ufanando de ser gaúcho.


:: por Marcio | 16:27




sexta-feira, novembro 05, 2004



E a cidade vive mais uma Feira do Livro, a de número 50. A Feira é uma das coisas bonitas de Porto Alegre, que a faz uma cidade inteligente, bonita, curiosamente diferente, até... Afinal, em feiras literárias, se autores se tornam celebridades. Figuras que normalmente podem andar na rua ou no supermercado ou no shopping sem serem identificadas, já que são desconhecidos para 98% do povo em circunstâncias normais. É um momento encantado para quem gosta de literatura, também: livros em preços super-especiais, matérias sobre literatura ocupando espaço de capa nos jornais e sites. Surrealmente deliciosos, esses dias aí...

Terça-feira fui lá. Só comprei um livro. Pra ganhar um autógrafo. É estranho... Os ídolos de quase todo mundo são celebridades, atores globais, essas coisas. Um dos caras que hoje mais admiro é o autor do livro que comprei: Lorde, de João Gilberto Noll. Eu tava super nervoso: tremia ao entregar o livro. Super engraçado! E o cara é esquisito como o texto dele, de uma esquisitice muito atraente, como seus livros. Ainda não li, tenho uma pilha no chão, ao lado da cama recém montada. Mas a curiosidade faz com que ele tenha uma das primeiras fichas pra entrar na leitura.

Hoje tem mais autógrafos, tem Charles Kiefer. Estarei indo logo para lá.


:: por Marcio | 14:40




quarta-feira, novembro 03, 2004



E o medo deles...

... venceu a esperança do mundo.

Bush, o escroto, venceu a eleição nos EUA, ao que tudo indica. Isso significa mais guerras, mais gente inocente morta em todas as partes do mundo, em especial no Oriente Médio... É o mundo sempre nos dando mais e mais más notícias.


:: por Marcio | 09:09




segunda-feira, novembro 01, 2004

Depois das eleições...

E agora acabou minha grande desculpa para postergar planos e atitudes: o "depois das eleições". O dia 31 de outubro era o marco para eu não começar a fazer regime, entrar pra academia e outras providências para emagrecer; para não ir ao oculista e trocar de óculos e/ou colocar lentes de contato; para não ir ao dentista; para não voltar a sair pra noite; para um monte de outras coisas. Agora, chegou a hora:
- Coragem, Márcio! E liberdade...


:: por Marcio | 19:05






Acabou!

Ontem ocorreu o segundo turno da eleição em Porto Alegre. José Fogaça foi eleito o prefeito, com cerca de 53% dos votos válidos, em segundo turno. Derrotou Raul Pont, do PT, que deixa a Prefeitura depois de quatro gestões.

A experiência do PT em Porto Alegre era uma vitrine para a esquerda do mundo, do ponto de vista de administração local. Em razão de uma série de programas e metodologias de gestão, a cidade se tornou uma "meca da esquerda", fazendo com que, em razão disso, centenas de pessoas viessem regularmente à cidade conhecer as experiências, especialmente do Orçamento Participativo, mas não apenas... E a cada dois anos, a cidade recebe o Fórum Social Mundial, com milhares de turismilitantes que traziam suas curiosidades e dólares até a nossa cidade.

Mas em meio a essa referência para o mundo, há uma cidade, com suas contradições, vontades, paixões e ódios que só quem nela vive pode entender. E a experiência que chamava a atenção do mundo será interrompida no dia 1º de janeiro de 2005, sendo sucedida pela governo do ex-senador, ex-professor-de-cursinho e ex-compositor, José Fogaça, um sujeito apagado, notório nos anos 70 como figura da contracultura, do movimento pela redemocratização, nos anos 90 por ser um obscuro senador que compactuou e mesmo operou privatizações e outros tipos de descalabros contra o país. Um sujeitinho que traiu uma geração. Um elemento que não conhece direito o que tá pegando, afirmando que foram fechadas escolas onde nunca existiram, confunde elementos básicos de indicadores econômicos, etc, etc.

Mas Fogaça não é o maior problema. Ele é um apagado. Ponto. O pior é o que cerca ele... Graças à sua eleição ontem, figuras como Brasinha(PTB), notório taipa; Neusa Canabarro(PDT), notória arrogante e bagaceira, dentre outros mais, ocuparão cadeiras na Câmara de Vereadores ou mesmo no secretariado do município.

Em pouco tempo, Porto Alegre verá a diferença... Com todos os problemas que tenha, o PT fazia na cidade uma experiência bonita de um processo de pacto social e civilidade, na pior das hipóteses. Agora, veremos de volta ao governo a repressão, falcatruagem, bagaceirice da pior estirpe...

Além do que, foi sintomático: o único bairro realmente em festa ontem, ao menos por onde passei, era o Moinhos de Vento, por onde demorei, de lotação, mais de quarenta minutos para andar três quadras. É... festa na Calçada da Fama, Parcão e arredores!


:: por Marcio | 17:25




segunda-feira, outubro 25, 2004

Delícias da vida

Em meio ao pavor do monte de coisas ruins acontecendo, ao menos tive um super-sábado: vitória do time em clássico em que nem iria - a quinta do ano - e um super banho de chuva - durante e depois - , que são duas das coisas boas da vida. Só faltou o resto depois: uma super refeição me esperando em casa, sexo e sorvete.

Mas outros sábados virão!


:: por Marcio | 14:25




sexta-feira, outubro 22, 2004

Ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela
me faz chorar


A rara sensibilidade da letra de À Flor da Pele, do Zeca Beleiro, diz mais ou menos da minha situação. Faz tanto tempo que não conheço outro corpo que todos qualquer coisa bonitinha me deixa desestabilizado. Não há um dia que não chegue ao fim da linha de ônibus perdido nos volumes ou nos cabelos ou nos olhos de alguém.

Todos os meus intervalos de almoço tenho aproveitado para curtir o Parque da Redenção, talvez a melhor coisa de Porto Alegre. E lá ontem me apaixonei: um rosto lindo, braços fortes, um jeito todo... Assim tem sido: umas duas ou três perdições ao dia.

Eu convivo bem com o estar-só, mas não com a solidão, assim quando se apresenta inteira, intransponível. Mas esses dias estão terminando. Tudo vai mudar depois da eleição: vou ter mais tempo pra mim, pra me arrumar, pra correr, pra emagrecer, pra ficar mais bonito. Ao menos se ninguém mais se atrair, eu vou gostar de mim de novo.


:: por Marcio | 09:21




segunda-feira, outubro 18, 2004

A triste sensacao da finitude

Era um rosto que chamava a atencao. Tinha uns tracos e um jeito redondo e os olhos que lembravam um ex-namorado. Mais uma barba sem bigode que necessariamente torna alguem chamativo. Mais um piercing que tambem chama atencao. Mais um charme no vestir e caminhar que ma atraiu, nas poucas vezes em que o vi e tentei de alguma forma ser correspondido nos olhares. Lembro necessariamente de uma vez, num paradao da Oswaldo Aranha, num domingo daqueles em que se tomam duas ou tres termicas de chimarrao e depois de mija um dia inteiro, chegando a noite sem controle. Aquele era um rapaz discreto, charmoso e que me atraia. Mas era apenas uma visao...

Foi um choque ver sua foto no obituario. Missa de setimo dia. Tinha morrido na rua, num assalto, num sabado de noite. Tinha 22 anos, lia muito, vivia "com a sofreguidao tipica dos que vivem pouco", disse a mae dele. Chocante, porque de uma idade parecida com a minha, talvez alguns habitos parecidos com o meu. Tinha materialidade aquele cara. Passei o sabado inteiro um pouco em choque com o fato de que a gente realmente pode morrer jovem, tendo cara bonita e inocente, sendo canalha, sendo velho, sendo o que for. Se morre... Nao que eu nao tenha passado perto disso: destrui um carro certa vez contra um poste, 22 anos. Quase fui. O cinto de seguranca me salvou daquela vez.

Ver aquela foto no obituario me deixou estranho e reflexivo e deprimido como ninguem gosta de estar. Isso que era apenas uma visao, uma pessoa distante. Mas alguma identidade qualquer que poderia ter com ele me deixou assim... triste. Queria poder mandar meus sentimentos a familia do rapaz. Apenas isso.


:: por Marcio | 11:08






Mad Maria

Fazia um tempo que tinha curiosidade em ler esse livro, mas foi depois de ver o autor, Marcio Souza falar em nossa Oficina, numa noite, num acaso da sorte, que acabei buscando para ler.
Mad Maria trata da construcao da ferrovia Madeira-Mamore, no inicio do seculo XX, em plena selva, numa obra monstruosa e um tanto sem sentido. Fala de uma parte curiosa da historia do Brasil menos trabalhada pela historiografia ou pela literatura, a republica velha, a estruturacao de uma identidade ainda hoje autoritaria, personalista e ultra-capitalista que vivemos. Fala de dependencia, corrupcao, brutalidade, sexo, essas coisas boas e ruins. Por isso mesmo, um grande livro, uma historia bem narrada, salvo momentos em que procura ser bem humorado e, na minha opiniao, quebra o ritmo. Do tipo de leitura que, necessariamente, faz voce chegar ao final com algum tipo de mudanca em suas ideias. E eu sou fascinado pela historia do Brasil, pela construcao da identidade, pelas regioes que nao conheco. Por isso, gosto de ler sobre a Amazonia, imaginar como vivem as pessoas em Manaus, Porto Velho e outros lugares que talvez nunca conheca. O livro tem isso tudo...


:: por Marcio | 10:24




quarta-feira, outubro 13, 2004



Passando o final de semana na casa dos meus pais, aproveitei para ver
Regras da atração, que me despertara curiosidade mas, pela rapidez com que passou pelos cinemas, não pude ver. Tinha lido críticas muito desfavoráveis em tudo quanto era lugar. Mas elas têm muito de preconceito contra filmes com temática adolescente. Mas nem todos são "Porkys", "American Pie", etc. Há os que tratam da crueldade que é ser jovem, ter dúvidas ou mesmo ser canalha. E Regras da atração é sobre isso.

Nenhum de seus inúmeros personagens é exatamente inocente, pobrezinho. Todos tem um cinismo e calhordice em seus atos que por horas nos deixa um tanto putos. Mas também sofrem, amam, correm atrás de coisas, se sentem estranhos, como todo jovem. É disso, afinal, que trata.

O elenco é talentoso também. Tem James Van Der Beek, ex-Dawson Creek, muito bem como o protagonista, tem uma tal Shanny Sossamon que é bonita e boa atriz e tem especialmente um cara apaixonante, Ian Somerhalder, o moço da foto acima, que faz o papel de um gay que se apaixona pelo personagem de Van Der Beek e corre atrás dele durante todo o filme.

Vale ver o filme, não é assim tão descartável quanto dizem.


:: por Marcio | 11:21






Os dragões não conhecem o paraíso

É... eu tou terminando de ler mais um livro de contos do Caio Fernando Abreu. Ele é fascinante, perturbador, lindo, tudo isso...

Pode parecer pretensioso demais isso, mas eu tive a nítida sensação de ser um personagem de algum dos seus contos que resolveu sair do livro.


:: por Marcio | 10:51








A falta que ele nos fará!

É... escritores morrem... Velhos, mas morrem... Um dia antes de completar 81 anos, morreu um dos grandes escritores do século XX, Fernando Sabino.

O Brasil perde um dos seus grandes, isso, aquilo... Não, não vou falar clichês... Eu vou ser mais clichê ainda: falar do que ele tem a ver comigo e porque fiquei um pouco mais triste segunda, com a notícia.

Li Sabino com menos de 12 anos, a primeira vez. É daqueles autores de contos e crônicas que as boas professoras colocam para seus alunos interpretarem textos. Foi assim que ouvi falar dele pela primeira vez. Depois resolvi tirar para ler O Encontro Marcado, um livro perfeito sobre a transição da infância para a vida adulta, sobre as ânsias e sofrimentos da juventude. Um livro atual, apesar de tanto tempo... Eu li esse livro três vezes, ao menos, que me lembre. Tenho ele autografado por Sabino. Nunca o vi pessoalmente, mas mandei umas duas ou três cartas pra ele e recebi dois livros de presente, pelo correio. Autor de um dos livros que mais me marcou, ainda criança, pré-qualquer-coisa.

Um cronista excepcional, de rara sensibilidade. Uma boa pessoa, bem humorado. Essas eram as coisas de que se falava dele, não agora morto, mas antes, vivo. E autor de novelas policiais sem igual: leiam o livro Faca de dois gumes: ali estão três novelas eletrizantes, uma mais que a outra.

Sabino sofreu nos seus últimos anos com um deslize que não deve dar um imortal: ter se prestado a escrever Zélia, uma paixão. Nisso brigou com amigos, foi criticado, gerou um monstrengo pelo qual será lembrado sempre. Uma pena. Uma injustiça, porque não, com um dos autores mais cativantes que já li.


:: por Marcio | 10:38




quinta-feira, outubro 07, 2004

Sorria(?), você está sendo vigiado!

Com o ritmo intenso dos dias no entorno das eleições, não escrevi na última semana. Só agora me somo aos protestos do Rodrigo em relação à instalação de câmeras de vídeo no centro da cidade.

A polêmica na cidade - curiosamente criada com a instalação das malditas câmeras pelo Governo do Estado às vésperas da eleição - é se devem ou não ser divulgados os locais onde as câmeras estão instaladas. Os mais fervorosos defensores do "BBB ampliado" acham que a divulgação da informação sobre os locais onde as câmeras estão monitorando perde a eficácia destas, que seriam criar um pânico nas pessoas e faze-las precavidas em toda a cidade, com o medo de "poderem estar sendo" vigiadas em qualquer lugar, até ao chegar à janela de casa(por enquanto, depois talvez até no W.C.)

Nem se cogita mais a polêmica sobre se é certo ou não instalar câmeras vigiando as pessoas, dado que isso é considerado questão vencida. Os que ousam ir contra as câmeras não tem espaço na mídia, são fustigados pela classe média, perdem poder na opinião pública, etc, etc.

Pois por mais que não mude xonga nenhuma, eu sou contra câmeras de vídeo na rua!

As câmeras trazem como discurso mais imediato a idéia de que, com elas, os "bandidos" não mais praticarão delitos, tais como tráfico de drogas ou punga em sua área de abrangência, para não serem flagrados. Por isso a idéia de que, não divulgando onde elas estão, se amplia mais a área em que não ocorrerão tráfico, pungas e outros.

Só que agora se coloca em lugares onde ocorrem muitos assaltos. A classe média e os jogadores de dama da Praça da Alfândega acham legal.

Depois, se coloca nos lugares onde se trafica drogas. A classe média, os velhinhos, as mães, os pais, quase todo mundo acha legal.

Depois, se coloca nos pontos em que as pessoas fumam maconha. Todo mundo acha legal, menos os fumadores de maconha e o DENARC.

Depois, em lugares de prostituição. Todos acham legal, menos as putas e os michês e os clientes das putas e dos michês.

E assim, se limpou a cidade do seu pior e do seu melhor. Quem foi que disse que é errado fumar maconha? Quem foi que disse que temos que acabar com as zonas de prostituição? Quem foi que disse que temos que acabar com os locais de pegação?(muita gente defende o cercamento do Parque da Redenção, o maior da cidade, em razão disso, antes de mais nada)

Sinceramente: eu quero viver num mundo onde não hajam assaltos. Mas eu não vejo nada de errado em alguém fumar um no meio da rua. Não vejo mal nas pessoas se comerem no chão de um parque, por mais que nunca tenha feito isso(o que não descarto um dia fazer, aliás)! E tudo isso será absolutamente eliminado em pouco tempo com as tais câmeras espalhadas por todos os cantos da cidade.

E daí tem outras coisas que ninguém fala:

- O uso das imagens de crimes serão usadas para identificar criminosos. Beleza. E aquela cena do Joãozinho chupando o Zézinho ali debaixo daquela árvore, nunca vai ser usada pra chantagear um dos dois por um policial corrupto que cuida do destino das imagens?

- Em caso de manifestações, protestos, greves, rebelião, quebra-quebra, as imagens não servem para mapear os cidadãos que participam de atividades políticas? E se eventualmente um dia entrarmos de novo em um regime de exceção?

Eu tenho pânico dessas câmeras, sinceramente. Acho que vou começar a andar com uma meia tapando a cara. Só não tenho como esconder a barriga...


:: por Marcio | 14:17




segunda-feira, setembro 27, 2004



Final de semana sem futebol, quase sem política. Um cansaço muito aliado de uma coisa que é quase uma depressão me fez ficar em casa, assim como a falta de dinheiro, mais uma aliada - não minha, mas dessas des-motivações. Com isso, veio um aproveitamento excelente para as leituras, rádio, até TV, que pouco valorizo.
Mas a TV foi pra ver Aqueles dois, filme dirigido por Sérgio Amon, a partir de um conto do grande Caio Fernando Abreu, talvez um dos grandes contos que já pude ler.
Apesar do orçamento baixo e suas consequencias, é um filme gaúcho, adaptação de Caio... Não haveria de ser ruim como experiência, conhecendo como eu o texto. Venci o sono e vi um bom filme, noite adentro. A magia dos cenários porque passo todos os dias, a magia de Caio, do texto, tudo... Bom filme esse, "Aqueles"... Acho que não se encontra isso em vídeo, por isso o esforço em ver, matando uma curiosidade. Só isso valeria o final de semana.
Mas ainda terminei de ler Laços de Família, livro de contos de Clarisse Lispector, ela também uma autora que se apresentou pra mim agora, apesar de tantos comentários, recomendações, resenhas, exaltações. Foi um prazer conhecer o texto dela, coisas preciosas da linguagem e da narrativa do século passado.
E João Gilberto Noll, com Canoas e Marolas, romance escrito para a série sobre os sete pecados capitais, respondendo pelo pecado da Preguiça é mais um texto desses dele: apaixonante, confuso, poético, excitante. Lido sem intervalo, durante a tarde de domingo.


:: por Marcio | 16:20




quinta-feira, setembro 23, 2004

Gosto de chuva

mas pra estar em casa. Detesto a má-educação das pessoas na rua em dias de chuva. Parece que o guarda-chuva é uma arma. Dá vontade de bater em certas criaturas que mudam de rumo bruscamente, param na calcada encharcada, bloqueando a passagem dentre outros tipos de burrice inconveniente, típicas de um povo que não consegue conviver em coletivo, mesmo vivendo a maior parte do seu tempo útil(?) no ambiente coletivo.


:: por Marcio | 10:40






Automovelfobia

Eu não gosto de carros. Não é porque não os tenha. É porque não gosto mesmo.

É o tipo de coisa que é inviável que todo mundo tenha. Assim como celular: se todo mundo tiver, o sistema provavelmente entra em colapso. Imaginem cento e cinquenta milhões de celulares em uso no país... Mas imaginem então cento e cinquenta milhões de carros! Imaginem Porto Alegre com um milhão de carros nas ruas, se com dez por cento disso é quase inviável andar!

O que as cidades precisam primar por ter é um sistema de transporte coletivo viável, qualificado, rápido, justo. Mais que hoje... Aqui temos um dos melhores transportes entre as grandes cidades do país: bem ou mal há ônibus ligando quase todos os lugares a quase todos os outros... Nossos ônibus são relativamente novos, a grosseria dos cobradores e motoristas são relativamente menores que em outros lugares, é um transporte coletivo de razoável pra bom, ao menos já andei em São Paulo e Rio de ônibus, já andei em João Pessoa, Florianópolis. E principalmente em Pelotas, onde morava até 99: um lixo.

O rolo é esse: o carro individual é o sonho de consumo da classe média. Em casa de burguês você vê quatro carros, até, numa garagem. Um sujeito de dezoito anos precisa de um carro pra que, mesmo? Pra ir todo dia até a PUC, voltar pra casa, depois ir até o Parcão posar de gatão e voltar pra casa? E assim temos mais poluição, menos espaço, temos burguês metendo o carro por cima do pobre quando ele vai atravessar o sinal na faixa de segurança com o sinal fechado... Esse é o sonho do pequeno burguês: ter um carro seu, só seu, de mais ninguém.

Num final de tarde temos engarrafamento até a Unisinos, por exemplo. Já fui algumas vezes de carona, normalmente vou de trem. Você percebe uma coisa curiosa: mais da metade dos carros estão com apenas seu motorista. E o engarrafamento... Isso é sustentável? É razoável? Não, não é, como não é nada no mundo em que vivemos...

Desculpe quem tem carro por dizer isso, parece coisa de quem não tem, mas eu digo sempre: nem quero. Quando melhorar de vida, comprar um carro vai acontecer só depois que tiver minha casa própria com tudo de bom e do melhor. E olhe lá!

Sei que facilita a vida ter um carro, se locomover com rapidez, carregar coisas. Mas todo mundo pode ter? Não. Carro popular é uma bobagem: o problema não está em dar mais acesso a quem não tem, tornar mais barato: o dia em que o carro for barato e vivermos numa sociedade em que todos puderem comprar, o mundo explode, os engarrafamento nunca terminarão. Impossível. O desafio é botar mais e melhores ônibus na rua, em tarifas mais baratas, com horários mais frequentes.

Abaixo o trasporte individual! Pra salvar o mundo enquanto há tempo...


:: por Marcio | 10:17




terça-feira, setembro 21, 2004



O filme dinamarquês Reconstrução de um amor é daqueles casos: ou eu sou muito burrinho ou o filme é mesmo confuso. Há uma sobreposição de narrador, de histórias, voltas atrás que desmentem o raciocínio construído até então... Nunca se sabe se é real ou não o que aconteceu antes.

Ainda assim, é um interessante filme, do envolvimento súbito entre duas pessoas que se encontram e se apaixonam loucamente, apesar de ambos terem relacionamentos e não saberem o que fazer com eles. A beleza dos atores protagonistas é simplesmente impressionante, o que também faz valer um pouco mais o filme. Fora isso, poucas serão as chances de ver um filme dinamarquês de novo, muito cedo...


:: por Marcio | 10:25




sexta-feira, setembro 17, 2004



E eu li pela primeira vez Edgar Allan Poe. Sim, falha minha: há horas me recomendavam ler, ouvia falar, lia sobre. E nunca tinha pego pra ler. Justo o pai de todos, o primeiro autor de todo um amplo gênero, eu não conhecia. Poe é o primeiro grande autor da literatura de mistério/horror/policial, o inspirador de outros grandes autores que viriam depois dele, de personagens míticos que viriam a partir da inspiração deixada pela vasta obra dele, que morreu com 40 anos, apenas. Contista, poeta, crítico de artes, era um visionário. Talvez uma das contribuições realmente importantes deixadas pelos EUA para a cultura mundial.
O livro lido, uma edição de bolso de Assassinatos na rua morgue, com outros contos. Genial. Pouco mais a dizer. Prende a atenção, distrai, tem imagens interessantes, boa linguagem, tudo o que um conto precisa.


:: por Marcio | 10:20








Quarta foi mais um dia de clássico Gre-Nal, mais uma vitória do Inter, portanto. Sempre é bom ir ao futebol, ganhar melhor ainda, do maior rival mais ainda - no outro dia tu vai encontrar teus amigos e poder incomodar um pouco.

Mas o trago foi grande, cheguei em casa quase caindo, depois de ficar no Estádio mais de uma hora depois do final do jogo. Sempre bebendo. Depois mais uma hora de ônibus - a Linha T2 é uma das coisas mais longas que já conheci e eu para ir da minha casa do Beira-Rio e vice-versa vou quase de um extremo ao outro da linha.

Como já falei, é a paixão possível de viver no momento, o futebol...


:: por Marcio | 10:04




segunda-feira, setembro 13, 2004

Mudado

Sábado fiz minha mudança. Em uma hora e meia tinha terminado de carregar e descarregar tudo o que me pertence de materialidade, com direito a um passeio de caminhão-caco por algumas das vias expressas da cidade - que medo!

Domingo foi montar o roupeiro - nunca tinha feito isso. Trabalheira, complicação, depois descobri que estava tudo errado, desmontar e montar de novo. Mas está quase tudo pronto. Vida nova na Vila. Parece bom. Em quinze dias já conheci os caminhos, as linhas de ônibus, a melhor maneira de chegar em cada lugar - como chegar da aula, como ir pro trabalho, como ir pro Beira-Rio. Nada mais me escapa. O melhor trajeto pra caminhar, alguns gatinhos, melhores preços nos supermercados da volta. Está sendo interessante ao menos a ilusão de que estou morando bem. E é bom me livrar dos stress que tive no último ano.

Mas é curiosa a situação: morar com a avó e a tia solteira, com um outro ritmo de vida: calmaria, discussões bobas entre elas, o menor primor com a comida, a atenção que ora dispensam pra mim, a televisão em volume altíssimo, o gato, o cachorro, vizinhos, tudo coisas estranhas a um sujeito cujas preocupações eram diferentes, talvez bem piores: som e TV alta também, luz cortada, o lixo que não se tirava, a porquice da parceria de casa. Conviver é algo estranho a um sujeito como eu.


:: por Marcio | 16:52






Carecas, realmente

Eu já tinha falado do medo e da raiva que me dão skinheads e assemelhados. Um conhecido foi atacado, levou quatro facadas, desses imbecis. Em Porto Alegre, no Parque da Redenção, apenas por estar ali, talvez procurando prazer, talvez procurando sarna pra se coçar. Mas o fato é que foi atacado por estar na rua, vivendo, sem mexer com ninguém, sem incomodar ninguém. Apenas ali, caminhando numa madrugada qualquer - que, apesar dos perigos, é excelente, caminhar à noite. Por que pessoas fazem isso? Que mal há em ser tolerante? Onde vamos parar?

Não cabem grandes textos... Apenas isso: medo, violência, intolerância, preconceitos, essas são as coisas mais fortes dos nossos tempos. Horror.


:: por Marcio | 16:48






Animal farm

Em razão de um trabalho de aula, reli(3ª vez) A Revolução dos Bichos, do George Orwell. É uma história que muitos de vocês conhecem, com certeza: o autor de utiliza de animais para fazer uma fábula sobre a construção de regimes autoritários/totalitários. É uma história interessante de ler, reler, analisar calmamente. Escrito como uma crítica a Stalin, vale para qualquer situação, vale para o Lula, para o Palocci, o Zé Dirceu.

A questão é: como mantermos a convicção de que a causa pela qual a gente luta é correta, aquilo pelo qual acreditamos não nos traiu, apenas quem nos liderou? Esse é o drama ao ler esse livro, ao analisar o que vivemos hoje, ao analisar a degradação de qualquer processo de revolução ou reforma. É possível chegarmos a uma outra sociedade, em que todos sejam iguais na diferença ou isso é impossível, porque sempre iremos, no meio do caminho, criar uma casta burocrática que logo criará outra dominação? Não tenho as respostas, apenas a vontade de seguir caminhando, ver no que dá...


:: por Marcio | 10:35




quarta-feira, setembro 08, 2004



Eu sempre gosto de ler Rubem Fonseca. Eu não canso de repetir que eu queria ser como ele. Repito isso sempre que leio mais um livro dele. Vale a pena. Agora foi um dos mais polêmicos, provavelmente o que o lançou: Feliz Ano Novo. Mas o que é tão bom em Rubem? Escritor de vasta obra, criativo, inovador na estética, na linguagem(ao escrever do jeito como as pessoas, afinal, falam), Rubem Fonseca é um dos grandes escritores brasileiros do século XX, se não for O. Ler seus contos faz pensar, mesmo que pareça por vezes que trata de grandes bobagens. Mas poucos autores fazem você ficar tanto tempo depois pensando nas coisas que leu, em prováveis sentidos daquilo que não tinha sentido.


:: por Marcio | 15:08








Vi ontem Brilho eterno de uma mente sem lembranças, com Jim Carrey e Kate Winslet, cujo roteiro é escrito pelo mesmo Charlie Kaufman de Adaptação e Quero Ser John Malcovich, autor de filmes alternativos, por assim dizer.

O que dizer? É a cara dele, o roteiro. Do Kaufman. Trama capaz de confundir a um bobo ou sonolento, ao que vai sendo entendida se torna uma grande história, a meu ver com a vantagem de, esse último, "Brilho", mesmo sendo pretensioso, ser uma história bem contada, explorada ao seu limite em sua potencialidade. A idéia é: pessoas passam a apagar de sua memória as desilusões amorosas. E a partir dai se conta a história de um casal que resolve apagar um ao outro da memória. Carrey, de quem tinha ódio por ser caricato, até fazer "Show de Truman", se tornou um bom ator, definitivamente. Kate é charmosa e boa atriz. Elijah Wood é bom ator e bonito, como poucos adolescentes podem ser. Assim se faz um bom filme, bom de assistir, que faz pensar, mas especialmente diverte. É bom assistir filmes "não tão comerciais assim", de vez em quando.


:: por Marcio | 09:31




segunda-feira, setembro 06, 2004



Uma boa idéia fazer um filme sobre Olga Benário. É bom que se diga isso antes de começar a bater no filme, certo?

Olga foi uma mulher excepcional. Tanto que é uma das mais importantes personagens femininas da história brasileira, mesmo sendo alemã, mesmo tendo passado pouquíssimo tempo no país. A mulher que foi designada para acompanhar Luís Carlos Prestes com segurança até o Brasil e que acaba se envolvendo emocionalmente com ele - trintão, sem nunca ter tido uma mulher - e, em meio a uma tentativa fracassada de tomada do poder acaba dele engravidando. É presa, junto com o companheiro e, grávida, entregue por Getúlio Vargas a Hitler, numa demonstração de boa vontade do nosso ditador com o ditador alemão, quando os dois flertavam - Sim, Getúlio só se decidiu contra o nazismo quando a Guerra já estava perdida por Hitler, é bom que se diga isso.

Assim, é uma boa idéia o filme, porque lembra o terror das ditaduras, especialmente a de Vargas, que é tido por muitos como herói - aqui no RS, então, isso é particularmente vendido para os incautos.

Paremos de falar da Olga mulherpara falar do filme Olga: ruim. O filme mais caro da história do cinema brasileiro, segundo já li, tem boa direção de arte, cenários internos, além de um bom elenco - o Caco Ciocler, como sempre muito bem, assim como Camila Morgado, uma das mais gratas revelações dos últimos anos. Ainda assim, a protagonista soa caricata em muitos momentos, o que é um problema, antes de mais nada, do roteiro e da direção, mas também da atriz, afinal...

E o filme vai por aí: exagerado, caricatural, sem fotografia - para economizar, não há tomadas de rua, nunca. O filme se passa em diversos lugares do mundo sem nunca sair do Méier. A trilha sonora é irritante, de sair da sala. Nos deixa ansiados quando não deve deixar, não diz nada quando deve dizer.

Que mais dizer? Uma pena! Com alguns dos mais ricos personagens da história na mão, Monjardim fez um Brava Gente melhorado!


:: por Marcio | 08:39




quarta-feira, setembro 01, 2004

A leitura do/de um dia

Li entre domingo e segunda de noite o livro Dinheiro Queimado, do argentino Ricardo Piglia. Li rapido assim porque se trata de uma fascinante historia, de um assalto a banco, sua trama, suas consequencias, a vida de seus principais personagens. Baseado em fatos reais, Piglia monta um "romance de reportagem", por assim dizer: a partir dos fatos, ele constroi uma historia como poucas, reflexoes como raramente se pode ver. Em tres horas ininterruptas, e possivel se ler o livro.
Adaptado para o cinema num filme que por aqui chegou com o nome original, Plata Quemada, este abordando especialmente um aspecto: a relacao estranha mas apaixonada entre dois dos protagonistas, Dorda e Nene, bandidos perigosos, loucos, cocainomanos mas frageis tambem, como o mais louco pode ser. Estou curioso em ver o filme...


:: por Marcio | 09:42




segunda-feira, agosto 30, 2004

As mudanças

Já tinha dito que me mudaria, pois então... É legal o lugar, mais que o meu canto, propriamente: esse será tão pequeno quanto onde eu estava; algumas vantagens, outras desvantagens. A privacidade diminui, mas também existirá um pouco. A distância do Centro aumenta(passa a existir): isso é um problema? Eu não sou exatamente fã do Centro da cidade, por mais que seja um local por onde passam as coisas, onde estejam fixadas outras tantas. Ainda assim, o Centro tem coisa que não gosto: barulho, gente se batendo nas calçadas, carros demais.

A rotina já tá pegando: sair mais cedo de casa, acordar antes, portanto; uma hora de ônibus por dia, em média(mais rádio, mais leituras). Caminhadas na volta de casa, conhecendo as ruas. Tudo isso tou começando a fazer, para entender melhor o meu mundinho novo, ao qual quero me fixar por um tempo mais longo que a minha média.

E planos para quando novembro chegar: mais tempo pra mim e pra minha literatura, caminhadas diárias, até uma academia pretendo pegar. Viver. E não ter a vergonha de ser feliz...


:: por Marcio | 16:39




quinta-feira, agosto 26, 2004



Tempos das frutas é talvez o melhor que já li da Nélida Piñon, uma das grandes figuras vivas da literatura brasileira, que só fui descobrir esse ano. Grande descoberta! É um livro de contos, onde sua linguagem funciona ainda melhor - em romances, a linguagem rebuscada cansa um pouco. São contos de vários tipos, tamanhos, estilos. A maioria deles fascinante como leitura. O melhor tipo de literatura, ao nosso alcance.


:: por Marcio | 11:34




terça-feira, agosto 24, 2004

Uma casa surreal é...

... quando a luz é cortada pela segunda vez em três meses, apenas. Impossível de conviver assim... Como não ter raiva?


:: por Marcio | 16:54




segunda-feira, agosto 23, 2004

Um país cruel é...

- quando se matam pessoas que moram na rua, assim: a paulada, a facada, a tiro, queimadas, até... Não é a primeira vez que acontecem matanças de mendigos, índios, pobres de modo geral. A polícia faz isso quase todos os dias nas favelas, ningupém diz nada. São negros, pobres, de modo geral. Só é escândalo quando a polícia ou o traficante ou o assaltante mata rico, branco.


Desta vez, há repercussão: morreram seis pessoas em duas ou três noites. Se fala disso. O Haiti é aqui. E agora, somos tão cruéis assim? Não éramos o paraíso no trópico? Um lugar tolerante, de povo querido, onde não existe extremistas, carecas, nada disso?

Mas que bom que ainda repercute, de vez em quando. Ainda conseguimos nos chocar com a barbárie. Por quanto tempo? Todo mundo está chocado ou haverá alguém que, no silêncio do seu quarto, ache que é preciso mesmo "limpar" as ruas? Alguém faz, alguém aprova.

Indignação. Ainda bem que ainda a temos, esporadicamente.


:: por Marcio | 10:41






Um país surreal é...

- quando o Supremo Tribunal vai julgar a (in)constitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária de aposentados que ganham a partir de R$ 1.100 e, como resposta, ao invés de dizer sim ou não, diz: "Sim, pode ser constitucional cobrar contribuição previdenciária de aposentados(?!), desde que seja a partir de R$ 2.500. Se for mil reais, é inconstitucional. Dois e quinhentos, deixa de ser..."
O judiciário deixa de julgar para negociar, barganhar, como faria o congresso... Estranho...


:: por Marcio | 10:34




sexta-feira, agosto 20, 2004

Angústia

Ontem foi um dia pesado, daqueles... Muito cansaço, muita energia negativa - ficar em frente a uma máquina de xérox durante seis horas puxa energia negativa pra caralho! Cheguei em casa com fome, mas sem vontade de comer. Resolvi sair. Tentei algumas pessoas, ninguém atendia ou podia sair, acabei saindo sozinho: me toquei ao Venezianos, onde não ia há tempos. O lugar tá bem mudado em relação a quando ia com frequencia: a cada noite mais cheio, é um lugar com atividades todos os dias, na quinta uma pista de dança diminuta mas atrolhada. Não exatamente aquilo ao qual o espaço devia se propor, mas enfim...
É curioso, é outro tipo de comportamento o dos ditos "lugares gueis". Nunca tive implicância, de achar melhor ou pior que os outros lugares: é diferente. O certo é que talvez muito da falta de convivência e identidade que tenho sentido tenha a ver com não ia mais a lugares onde veja pessoas tão diferentes e outras tão parecidas comigo como no Venezianos - às dezenas, as pessoas cuidando do cabelo, ostentando a roupa mais cara, esse tipo de coisa; na mesa do lado, no entanto, um sujeito exatamente com o mesmo comportamento meu: observando os comportamentos entre um cigarro e outro, uma ceva e outra, curtindo(?) a solidão.
Ah! eu preciso me lembrar de levar um bloquinho na próxima: tive idéia de várias frases que caberiam em contos, versos de poemas, coisas assim, pequenas, que depois esqueci. Adoro observar os comportamentos dos outros.


:: por Marcio | 15:38




quarta-feira, agosto 18, 2004



Eu tava passando a semana sem fazer um comentário importante: feliz (com) a notícia da vitória de Hugo Chávez na Venezuela, quando, num referendo que visava derrubá-lo, o presidente fez 59% dos votos contra a extinção do seu mandato, garantindo seu cumprimento até o final, em 2007.

Nenhum desses comandantes latino-americanos são perfeitos, Chávez tem muitas caracteristicas parecidas com Fidel: grande carisma, vocação militarista/autoritária, coisas de bom populista.

Mas algumas coisas: se os EUA são contra ele, é sinal de que ele pode ser um bom cara. Chávez é altamente apoiado nas favelas, odiado entre a burguesia venezuelana. O lance é luta de classes pura. Só que ele é esperto: tem o apoio das forças armadas, o que torna qualquer solução golpista mais difícil. Chegou a sofrer uma tentativa, quando foi afastado por dois dias do poder.

Mais um elemento: a grande riqueza da Venezuela é petróleo, o que a faz alvo do capital internacional, tanto quanto... o Iraque! Ah, entendi agora a preocupação de Bush com a "estabilidade" nesse país.

E Chávez, com todos os problemas, é melhor que Lula: ao menos enfrenta alguns inimigos, procura organizar o povo, essas coisas básicas, ao invés de ficar comprando todo mundo e mantendo o establishment. Merece aplausos por isso: comprar brigas. Especialmente porque sabe ganhá-las.

Num continente tão sugado em suas riquezas naturais, com tantos massacres, golpes de estado e outras coisas mais que os diversos imperialismos fizeram ao longo dos séculos, lideranças como Fidel, Chávez, Che, se eternizam no imaginário popular pelo que são: legitimamente do povo, com os defeitos que possam ter. E merecem a solidariedade internacional, por mais que crítica.

Viva o povo venezuelano! Foda-se Bush!



:: por Marcio | 16:23




terça-feira, agosto 17, 2004



Vi ontem a prova final dos 200 metros livres da natação. O vencedor foi o australiano Ian Thorpe. Que espetáculo a prova! E ele também...


:: por Marcio | 16:49




segunda-feira, agosto 16, 2004



Convivência

Foi um fim de semana atípico, porque bom. Desde a sexta, convivi muito com os amigos. Fui numa plenária da campanha do Raul, depois de muito vacilo se eu devia sair de casa ou não. Lá encontrei o Baracy, parceirão que mora em Floripa há um ano e meio e que, desde então, não tinha encontrado ainda. É uma dessas pessoas com quem é agradável estar: é possível falar sério, é certo que se dará muita risada. Vimos Fahrenheit 9/11, tomamos algumas Polar(a verdadeira cerveja, que só existe aqui), andamos pela Lima e Silva. Coisas típicamente porto-alegrenses, ele tava com saudade de cada uma dessas coisas. E queria ver o Inter no sábado, outra saudade. Pena que nos desencontramos lá na chegada ao Beira-Rio, mas assisti ao jogo com a Claudinha e o Jairo, duas pessoas com quem gostaria de conviver mais, também, porque se dão ao direito de alienarem-se com o futebol, a melhor das drogas, o verdadeiro ópio do povo. Outra reunião depois do jogo - o que é ruim, porque corta o efeito embriagante de uma vitória como a de sábado, 4 x O. E domingo foi a possibilidade de ir até o calçadão de Ipanema, ver gente bonita, pegar sol, se chapar, como todo mundo ali, afinal. Terminando com um rodízio de pizza, um monte de idéias na cabeça que eu procurei colocar na tela do computador na chegada em casa. Tanto que só dormi agora há pouco, três horas, tendo de acordar às sete. Foi um final de semana longo e feliz, como não costumam ser os finais de semana. Só me falta mesmo uma relação... mas nem tudo o que a gente idealiza se faz material, ainda mais quando a gente na verdade não faz por onde. E tudo tem seu tempo... Não tenho me dado a prazeres baratos como já fiz em outros tempos, tem mais isso, o que agrava a depressão, o mau humor... Mas é bom curtir momentos. Não fossem o futebol, os amigos e a literatura...


:: por Marcio | 09:18








Yes! Fui ver Fahrenheit 9/11, sexta-feira!

Bom, eu tinha gostado já de Tiros em Columbine, pelo qual o diretor Michael Moore ganhara o Oscar de melhor documentário de longa metragem. Por seu novo filme, ganhou a Palma de Ouro em Cannes.

O que dizer do filme? A frase pro amigo com quem assisti o filme foi de que era impressionante a montagem: o que ele tinha conseguido fazer pra ter um filme com as informações tão bem administradas. Ele conseguiu cenas impressionantes para compor seu filme. A mais impressionante delas é aquela que mostra os momentos em que George W. C. Bush é avisado do choque do segundo avião contra o WTC. Já sabia do primeiro e manteve uma agenda numa pequena escolinha, como se não fosse com ele. Quando um assessor encosta e dá a notícia do segundo avião, o Presidente do país fica como se num vazio completo, pega um livro de cabeça pra baixo e fica folheando, como se o lesse, enquanto as crianças exercem sua terrível predileção em gritar. São cenas chocantes: a incapacidade para entender o mundo à volta. O Presidente dos Estados Unidos, um dos homens mais poderosos do mundo, se não for o mais, é pintado - e com razão - como um completo imbecil. A partir daí, Michael Moore começa a colocar claramente o quanto a democracia do seu país é uma farsa.

Se for falar de cada cena que me chamou a atenção, conto o filme todo. O certo é que
Fahrenheit 9/11 cumpre seu papel: um estadunidense sério que ver o filme tem um salto de consciência e, ao menos, não votará nunca mais nos republicanos, o que já é um começo de conversa; os não-estadunidenses que o verem sentirão nojo, repudiarão qualquer guerra, em qualquer lugar do mundo e, se um pouco disposto a pensar em política, passa a detestar ainda mais o capitalismo, porque é possível ver com clareza o quanto é tudo absolutamente nojento: pessoas correm atrás de grana, não importando para isso o sofrimento alheio, em todos os cantos do planeta.

Com todas as contradições que possa ter, com os defeitos que tenha, Michael Moore é um exzcelente documentarista e está cumprindo um papel fundamental no momento, que é fazer aquilo que os democratas se negam a fazer: catalisar a revolta de um mundo atordoado com tanta maldade.


:: por Marcio | 08:51




sexta-feira, agosto 13, 2004

Notas técnicas

- Jogos Olímpicos trazem muita informação pra um sujeito como eu: ou vejo tudo ou nem quero saber de pouco... Detesto não saber das coisas, detesto mais ainda despejo de informações;

- Apesar da grana curta, quero ir ao cinema de novo no fimdi;

- Ainda não consegui comprar um presente bom pra mim, de aniversário. Já passou da hora;

- Mais um sábado à tarde com futebol;

- Escrever é difícil;


:: por Marcio | 08:56




segunda-feira, agosto 09, 2004



Meu objetivo era ver Fahrenheit, mas o atraso me fez ver Monster no sábado. E nada podia ser uma punição maior ao meu atraso: o filme é uma naba. Tá bem: o filme tem lá uma reflexão sobre a exclusão, sobre a dificuldade das pessoas mudarem de vida, da falta de oportunidades. Tem uma atuação impecável da protagonista Charlize Theron, que inclusive ganhou o Oscar pela sua atuação.
Mas a história da prostituta que, depois de matar em legítima defesa, passa a matar todos os seus clientes enquanto tenta emplacar uma paixão estranha com uma menina de família é pouco interessante, não compensando o filme violento demais pra pouco conteúdo. Baseado em fatos reais, o filme parece feito pra passar na Sessão de Gala da Globo(que nem existe mais) ou no máximo na TV a cabo... Não vale um ingresso de cinema. Nota quatro, cinco, com boa vontade.
Bem feito: quem manda se atrasar pro cinema!


:: por Marcio | 09:27




sexta-feira, agosto 06, 2004

Um não-post

Este post é só pra avisar que não vai haver post sobre o meu aniversário... A partir dos vinte e poucos você já não vê com tanta alegria seus aniversários - não só porque ser adulto e começar a ficar velho é um saco, mas porque você até pára de ganhar presentes. Eu queria pelo menos poder ganhar uns livros bons, uns CDs legais, uma camisa oficial do meu time, uma máquina fotográfica, sei lá, coisas assim... Mas não, aniversário de adulto é um saco, total...

E não cabe fazer reflexões sobre o quanto não estou muito bem nesse meu vigésimo sexto aniversário: finanças atrasadas, pior que cu-de-cachorro no trabalho, decepcionado com coisas que apostei minha vida, solteiro, sem sequer alguém legar pra dar uma trepadinha de vez em quando, etc, etc... Melancolia, basicamente. Essa é a marca dos meus vinte e seis. Pra piorar o clima, ontem veio mais um ciclo de gripe que fará com que eu atravesse o sábado - o dia do aniversário - fungando em razão disso - ao menos fosse por motivos mais nobres!

Portanto, não há porque ficar fazendo reflexões longas e bonitas que todo o ano se repetem. É lutar pras coisas melhorarem. Ponto. O resto é silêncio...


:: por Marcio | 16:12




terça-feira, agosto 03, 2004



Barbárie

Não há como não ficar profundamente deprimido ao ver a notícia sobre a tragédia no incêndio de um hipermercado em Assunción, no Paraguai, com mais de trezentas vítimas. Especialmente ao se saber que o dono do estabelecimento mandou fechar as portas do lugar, os seguranças conterem a saída das pessoas para que ninguém saísse sem pagar a conta... É o capitalismo em sua expressão mais cruel. O bolso acima da vida. Qualquer coisa mais a dizer é desnecessária...


:: por Marcio | 08:39




segunda-feira, agosto 02, 2004

A viagem na maionese

Mais uma vez, li e gostei de ler João Gilberto Noll. Dessa vez foi Berkeley em Bellagio o título, o último romance dele. Como sempre, é aquela prosa-quase-abstrata que o caracteriza, quase não chega a ter narrativa, linguagem rebuscada, dificuldade de leitura. Isso porque não somos acostumados a abstrair num texto, criar com o autor. O leitor médio - entre o qual me incluo - precisa de uma narrativa com início meio e fim, diálogos, parágrafos. Pira - e normalmente desiste - quando encara um livro que não tenha essas coisas. Noll não curte isso, exige mais do leitor. Por isso - uma proposta diferente - estou gostando tanto de le-lo, estou me forçando a gostar, tentar... Vale a pena. Suas histórias melancólicas, estranhas mas, na verdade, tão fáceis de se identificar, tem me feito pensar, tem me feito pirar... Muito bom. Eu só quero reler em um momento em que possa faze-lo de uma sentada. Certamente será outra a minha compreensão...


:: por Marcio | 11:29






A Festa II

E sexta teve uma super festa, da Helena Bonumá, minha candidata a vereadora. Como é da característica, foi uma festa "mutcho loka". Especialmente pra minha pobre cabeça, ainda tão adolescente... muita informação, muita informação...
A primeira e mais chocante: tinha escrito umas cenas do meu livro - falei até num post anterior aqui. Sexta descobri que as coisas que escrevi estão acontecendo, mesmo... É: minha ex-namorada eswtá ganhando um filho. Mas o mais chocante realmente é eu ter escrito sobre isso antes de saber. Depois dizem que a arte imita a vida. Na verdade é o contrário...
Sair com a minha irmã é uma coisa que não acontece todo dia. Sempre é estranho, um tanto constrangedor, já que a gente não convive, não se conhece tanto assim. Sempre me constranjo um pouco de fumar um na frente da minha irmã, por mais que ela já não seja mais uma criança...
E a última coisa forte foi encontrar o Manuelzinho, de Pelotas e saber que os companheiros que me levaram pro PT, em quem sempre confiei, estão agora construindo o PSOL. Essas coisas deixam a gente tocado, num momento em que não está sendo fácil acreditar que ainda é possível... Tenho lutado ardentemente pra não desanimar antes da hora.
Muitas informações, muitas... E muita droga também... muita droga...


:: por Marcio | 10:18




quinta-feira, julho 29, 2004

A festa

Na sexta, 6, vou tar fazendo, com outros amigos também leoninos, uma festa grande, no Diretório da Faculdade de Economia. Fica o convite...


:: por Marcio | 11:06






Cachaça

Eu tou bebendo demais. Vou dar um tempo, já não tá sendo legal.


:: por Marcio | 11:04




quarta-feira, julho 28, 2004

A volta

Voltei ontem à Oficina Literária, agora nas terças de noite(tinha deixado há uns dois meses, porque o horário das quintas pela manhã tinha se tornado impossível de manter.

É bom voltar, a turma parece boa. Tem uma peculiaridade: só tem mulheres, à minha recente exceção. Isso muda um tanto a dinâmica, os textos, os debates... deve ser interessante, ao menos me pareceu, pela primeira aula. Não sofro do menor grau de misoginia, portanto não terei problema...

E foi bom voltar, ontem cheguei em casa, depois, já com idéia fervendo, liguei o computador e escrevi uma nova abertura para o romance que eu não consigo desenvolver. Ocorre que a história tem muito de auto-biográfica, o que torna doloroso escrever sobre... tudo de passa no entorno do que eu vivi ano passado, com a Fernanda... não é simples lidar com a experiência mais rica que eu já vivi, a mais chocante, estranha e prazerosa relação... por isso esse romance não anda, por mais que tente... Mas sei que enquanto não o escrever, ao menos uma primeira versão completa, vou querer faze-lo, é uma obsessão. Preciso fazer mesmo que seja apenas para deixar ali, para uma outra oportunidade. Os fantasmas da gente precisam sempre ser encarados de frente. Mas pra isso não seria mais fácil uma terapia? Talvez... mas terapia custa mais caro... Nunca consegui dar sequencia a terapia por não conseguir viabilizar, muito menos ter disciplina de horários, essas coisas... o "rodo cotidiano" nunca me permite pensar direito na minha própria vida. Merda isso...


:: por Marcio | 09:47




terça-feira, julho 27, 2004



"Deputadinhos" - mais um ato do show de horrores

Não sou contra as instituições "democráticas" vigentes, saibam disso desde já. Creio que antes que cheguemos a outras instituições, é bom que as atuais existam, garantindo assim o equilíbrio, a possibilidade de um ou outro louco pôr a boca no mundo e tal.

Mas mesmo tendo essa posição, eu sou obrigado a dar meu testemunho de quem conhece o parlamento por dentro, através da Assembléia: é um verdadeiro show dos horrores! De 55 deputados estaduais do RS, devem ter uns 10 que entendem o que estão fazendo, realmente: os outros estão aí só pra ganhar dinheiro, ter fama, comer gente... Programa, ideologia, disputa de forças, nada disso passa pelo imaginário de noventa por cento dos dito-cujos. Essa é a política nos padrões de democracia burguesa constituida, ainda mais no Brasil, onde a demagogia, o personalismo, populismo, caudilhismo e outros ismos ainda são parte do "fazer política".

Mas o que eu queria era fazer um outro registro: a Assembléia aqui do RS está fazendo um tal de "parlamento juvenil", idéia copiada, se não estou enganado, do RJ. A bobagem consiste em eleger representantes de escolas, botar uma gravata nas pintas e fazer reuniões e plenárias como se deputados adultos fossem. É uma forma de "aprenderem a ser políticos". Me poupem! Isso só cria ainda mais uma idéia de distância das pessoas do fazer política, dá uma idéia de que para representar uma parcela da população você tem que vestir bem, ser demagogo, distante, ter status. E aí é bom ensinar, desde logo, a alguns como se faz... Além do mérito, em si, é uma aberração ficar cruzando com crianças engravatadas nos corredores da Assembléia: vão jogar bola, seus merdas! Aproveitem! Não fiquem ensaiando em como usar gravata, em como ser adulto, porque isso tudo é uma merda! As únicas coisas boas de ser adulto é poder fazer sexo, beber e se drogar, o resto é só coisa chata, compromisso, preocupação, consciências demais, erros demais.


:: por Marcio | 14:08






Barbárie no Brasil do século XIX

Sou fascinado pela história do Rio Grande do Sul, mais que pelo próprio, até. Não que seja uma história bonita, muito antes pelo contrário: como quase toda a história, foi feita de sangue, só que talvez as guerras civis daqui foram feitas - especialmente a de 1893, com muita crueldade. É sobre isso, também, que trata A cabeça de Gumercindo Saraiva, dos escritores Tabajara Ruas e Elmar Bones.

Gumercindo era um caudilho que foi liderança dos rebeldes maragatos - que são vistos como revolucionários por uma parte dos que contam a história, mas eram, em síntese, latifundiários e monarquistas - que foi morto numa das batalhas da chamada "Revolução de 1893". Foi enterrado por seus pares, logo a seguir. No entanto, os republicanos foram lá, desenterraram ele e levaram sua cabeça como troféu a ser entregue ao chefe, o Presidente do Estado, Júlio de Castilhos. Castilhos, que era um bárbaro, ficoou chocado com o ato, pra vocês imaginarem...

Fascinante a história, fascinante...


:: por Marcio | 11:03




segunda-feira, julho 26, 2004



A mini-viagem de cada dia

Estou de mudança, dentro de dois meses. Irei morar com a minha avó paterna, na Vila IAPI, caminho para a Zona Norte da cidade. Pela linha que larga na esquina de casa, o caminho do ônibus leva cerca de quarenta minutos entre o centro e a casa. Razoável. Ônibus não tão cheio. E como eu pego no início da linha, nunca pego ele lotado, sempre com lugar pra sentar.

A Vila IAPI é um lugar bonito, com ares de interior - foi habitado lá pela metade do século passado, aproximadamente. É uma espécie de Cohab, mas não tão padronizado nem com ares tão de gueto, é um bairro aberto e espalhado por uma longa área incrivelmente humilde e bonito para um lugar vizinho a bairros onde mora boa parte da alta burguesia da cidade. É um barato o IAPI, o bairro da Elis Regina...

Ontem dormi lá, vim agora pela manhã para o trabalho... Foi interessante reviver a experiência - já morei lá uns três meses, em 2002 - de construir uma rotina morando longe do centro. Economiza-se dinheiro, perde-se em tempo.

Mas morar lá terá saldo positivo na balança, porque vai me trazer as coisas que tou precisando mais: convivência, ar mais puro, mais silêncio, essas coisas que bairro traz. Eu odeio - e espero não mais precisar - morar no centro.


:: por Marcio | 10:12




quinta-feira, julho 22, 2004



Os preconceitos...

são todos uma merda. Passeando pelo orkut, pude ver há pouco uma comunidade escrotíssima chamada "Orgulho Paulista", que não é nada a mais, nada a menos que um banco de fascistas reunidos em torno de valores como: ódio aos gueis, ódio aos nordestinos, ódio aos comunistas, ódio, ódio... Lá falam dos gaúchos, cariocas, mineiros, nordestinos... São todos vagabundos, putos, isso, aquilo, o outro...

Aqui em Porto Alegre, uma cidade especialmente tolerante, democrática, já ouvi relatos de pessoas próximas - ou não - que foram agredidas por carecas na rua, andando sozinhas. Algo que evito. Tenho mais temor a agressões desse tipo, até, que assaltos - que já sofri, vários, mas nunca levei um soco sequer num assalto. "Careca" quer matar, odeia.

O que fazer contra isso? Para onde vamos caminhar desse jeito?

Só uma coisa não dá: a idéia de que o preconceito está crescendo porque cresce a visibilidade - no caso dos gueis ou dos negros, por exemplo. Claro que não é isso! A visibilidade dos discriminados não gera preconceito, ela apenas faz com que os "anti" expressem aquilo que antes estava represado. Quando o discriminado sai pra rua, sai junto o preconceituoso. Simplesmente não aparecer, voltar ao século XIX porque tem uma meia dúzia de nazistas no mundo - infelizmente não é uma meia dúzia, na real - é uma bobagem, coisa de cagado. O que todos os discriminados tem mais que fazer é pôr a cara na rua mesmo, enfrentar os preconceitos, mandar a merda o ódio. Sonhar e lutar por um mundo melhor...

São essas coisas que me motivam a seguir lutando, não o poder... O poder é apenas um mal... ele existe, vai sempre existir, mas é um mal... Toda a luta que ocorre apenas por ele, é inglória...


:: por Marcio | 10:07




terça-feira, julho 20, 2004

O final de semana 
 
As palavras: paz/acordo/conciliação
 
O prazer: baseado
 
Nome próprio: Danilo 

Alegria: a vitória do Colorado, a boa reunião
 
Tristeza: a impotência da saudade dos pais

Leitura: revistas
 
Sensação boa: o frio
 
Sensação ruim: o frio nos pés



:: por Marcio | 13:06




quinta-feira, julho 15, 2004

Blues da piedade

Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêncio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem


:: por Marcio | 11:20




quarta-feira, julho 14, 2004

É um amargo qualquer...

que não é apenas de chimarrão ou café. É uma azia meio permanente, que tem me pegado. Alguma coisa que não passa assim, sem parar e descansar, esquecer dos estresses. Eu só queria saltar fora de tudo isso à minha volta...


:: por Marcio | 14:43




segunda-feira, julho 12, 2004



Busca vida

E eu precisava voltar a sair na noite. Ir a lugares onde eu possa eventualmente me achar com alguém. Tenho andado sem dinheiro e sem vontade de sair, mas outro dia - sábado, bêbado, quase dormindo, quando me bateu a carência - lembrei que não posso reclamar da vida simplesmente porque não tenho buscado nada.


:: por Marcio | 14:48






Dia de recuperação

O pior de você tomar um trago é o outro dia sem iniciativa pra nada, cabeça estourando, a certeza de que alguns prazeres cobram o preço depois. O álcool só vale a pena enquanto se sente o efeito bom dele. Agora é uma semana sem nada, até pra dar uma limpada no meu sangue vermelho, mas nobre.


:: por Marcio | 11:55






Trago clássico

Bom, não encontrei ninguém mas vou começar a beber:
- Me dá uma ceva, quanto é?
- Dois pila! Só que não tá muito gelada, coloquei há pouco...
- Não dá nada!

- Beto, não veio pra cá ainda?
- Não, vou fazer um rango antes... Chega aqui... tem um Johnnie aqui pra gente dar umas goladas...

Só tem Kaiser aqui dentro, vamos lá então...



2 X 0, não tou ainda acreditando... O negócio é beber mais...



"Glória do desporto nacional
Ó Internacional..."


:: por Marcio | 11:19




sexta-feira, julho 09, 2004



Detesto perder posts

Tinha escrito um post mais completo sobre o Nando Reis, acabei perdendo por algum motivo desses que ocorre quando se lida com computadores.

Resumindo: comprei um CD do cara, que eu estou cada vez mais considerando um dos grandes caras da MPB atual. E nesse disco - o terceiro dele - tem uma das minha preferidas: No Recreio. Ele tem uma particularidade na sua importância: ninguém atualmente fala as coisas de forma tão simples e tão brilhantes, ao mesmo tempo. Não se pretende gênio, é apenas um cronista capazes de dizer as coisas mais próximas do que já pensamos. Nenhum amor é platônico rasgado, o que pauta Nando Reis é o que ele mesmo cunhou numa música: o charme macio.


:: por Marcio | 13:03




segunda-feira, julho 05, 2004

A perda

E morreu na sexta uma tia-avó minha, a Dora. Uma velhinha sensacional, de quem sempre gostei muito. Infelizmente, ela vinha quase vegetativa desde que teve um derrame, alguns anos atrás. Morava com a minha avó, com quem morarei a partir do final do ano, na Vila IAPI. Tenho a impressão de que para uma pessoa que era tão forte e expansiva, tenha sido um puta sofrimento o que viveu nesses últimos tempos, que talvez o falecer seja melhor. Minha avó está triste, tenho que visitá-la hoje, quando volta pra cá. É o mínimo pra mim me sentir menos desnaturado que aquilo que sempre sou... O grande drama, imagino, desse tipo de perda - de irmãos - não seja nem a tragédia de perder alguém com quem se viveu junto tantas décadas, mas o sentimento de que a idade leva. Minha avó, tão forte agora, já teve lá seus problemas de saúde, uma vez se despediu de todos nós, quando eu tinha uns dez anos, num domingo de manha. Um horror, cenas de que nunca vou me esquecer. Ainda bem que não a perdi naquela vez, amo muito a Vó Carmem. Espero que dure muito ainda, se vá aos 90, mais, com saúde. Eu quero que a Vó que tanto me incentivou a ler possa ainda me ver um bom escritor. Que eu possa dedicar um livro a ela, em vida, essas coisas. Segura a onda, Véia!


:: por Marcio | 09:57






O que para alguns poderia ser indiada

para mim acaba sendo diversão. O sábado foi assim...

Futebol logo no início da tarde. Retomada das vitórias no Beira-Rio, 3 a 0. O frio voltando, umidade no chão das arquibancadas, vibração e alegria entre os poucos presentes. Sábado que vem tem o Gre-Nal, nosso clássico do futebol gaúcho, grande programa! Eu definitivamente estou empolgado com acompanhar futebol, é uma das paixões que valem a pena nessa vida, o futebol.

Depois, iamos a Taquari, no lançamento a vereador de um grande companheiro, mais novo que eu, deve se tornar quem sabe um dos mais votados da cidade. Uma hora de Porto Alegre, era barbada ir e voltar, ficando umas duas horas lá. Só não estava no combinado a quebra da caixa de mudanças na saída de POA. Fim da viagem.

A sorte é que quando estamos entre amigos, sempre fazemos do limão uma limonada. Foi uma noite divertida.


:: por Marcio | 09:52






Uma indisposição

Um embrulho no estômago - resultado do rodízio de pizza da noite anterior - me tirou ontem da 8ª Parada Livre que, dizem, foi enorme, de novo. Que bom! Eu fiquei em casa, vendo futebol, lendo, descansando e me desgastando, como sempre. Alguma falta de interesse altamente do subjetivo também me tirou da Parada, não sei bem explicar, mas houve qualquer coisa de má vontade. Segundo ano consecutivo, por sinal. Mas não recomendo esse tipo de postura a mais ninguém.


:: por Marcio | 09:45




sexta-feira, julho 02, 2004





Mais uma perda, dentre tantas

Morreu Marlon Brando, um dos maiores atores de todos os tempos, uma imagem fascinante, destas capazes de enfeitiçar, desde os tempos em que era um jovem ator bonitão até o velho gordo com jeito afável dos últimos filmes.
Para mim, Marlon Brando tem um filme que especialmente me encantou: Duelo de gigantes, um faroeste "daqueles", estrelado por ele e por um dos meus preferidos, Jack Nicholson. Um filme exemplar, como o são os grandes faroestes. Fora esse, todos sabem de Apocalypse Now, O Poderoso Chefão, Último Tango em Paris, dentre outros.
O mundo perde um ator sensacional. O cinema ganha mais um mito.


:: por Marcio | 16:10




terça-feira, junho 29, 2004

Contradições das novas tecnologias

Não, não se trata de grandes filosofias. O título acima caberia a um livro, até, uma dissertação ousada, mas é algo bem mais simples(por ora): a Internet ajuda ou atrapalha as relações entre as pessoas?, eis a questão que me fazia hoje, num momento de reflexão, quando a bateria do celular descarregou e não pude seguir jogando Serpente, portanto.

A mais nova onda, o Orkut, por exemplo: é uma boa? Fora a questão de que quem administra aquilo tem acesso a um banco de dados sem igual no mundo - teus amigos, tuas preferências em todas as áreas, etc, etc, a questão é: ali você tem "amigos", "grupos de relação", "Fãs", tudo o que você precisa. Isso é bom? Via uma pessoa outro dia dizer que nós precisamos ter fãs na vida real, não virtuais. Certo... Mas pelo tal Orkut eu achei pessoas de quem não sabia noticias há anos, até um amigo de uma década atrás, que está morando em São Paulo, p. ex. Ou seja, o Orkut é ruim, em si? Não. O problema é se você deixar de ir a uma festa porque tem que ficar ali... Assim como os chats, por onde pessoas se conhecem, amizades se formam. É ruim? Tem gente que não produz nada no trabalho por causa deles... O problema é o uso que se faz...

Eu estou lendo uma coletânea de cartas sensacional, da correspondência entre os escritores Fernando Sabino e Clarisse Lispector, dois dos gênios da literatura brasileira do século XX, chamado de Cartas perto do coração. Ali estão eles trocando idéias sobre as coisas que estão escrevendo, ao longo de duas décadas, obras que, publicadas, marcaram gerações - o livro que mais mudou minha visão do mundo foi O encontro marcado, dele. Hoje, quem troca cartas? Pobres, quando tem dinheiro pro selo. O e-mail matou um costume de séculos, um momento de reflexão, conhecimento, relação social entre distantes - ou nem tanto. Esse é um caso de resposta clara: a Internet matou os Correios. O que fazer em relação a isso? Eu troco cartas com um amigo virtual de Belém. Mas é a única pessoa que me faz ir ao Correio, uma vez por mês. E trocamos informações, livros, folders, coisas que criam identidade que um mail não cria. Portanto, taí uma coisa que as pessoas deveriam fazer: trocar cartas.

Devemos aproveitar o que as tecnologias - nesse caso, em especial, a Internet - nos oferecem de positivo, mas não abrir mão de tradições salutares. Um dia a humanidade ainda sentirá a falta dos Correio.


:: por Marcio | 12:25




segunda-feira, junho 28, 2004

A noite escura e mais eu

Lygia Fagundes Telles era mais uma autora de quem ouvia falar, recomendações, etc, mas não tinha ainda parado para ler. E é boa. Não preciso eu aprovar, ainda assim o faço. Esse livro, que é uma seleção de contos, tem dois ou três especialmente sensacionais.

Mas agora, lendo Os bandoleiros, estou descobrindo definitivamente que quando eu crescer, quero ser que nem o João Gilberto Noll. Só que eu ainda vou ter que comer muito feijão se eu quiser chegar lá.


:: por Marcio | 10:11




sexta-feira, junho 25, 2004



Super Chico

Seu eu tivesse de listar dez pessoas que eu admiro, ele estaria necessariamente como uma delas. Não há nada que eu possa dizer que seja uma homenagem justa ao Chico, um dos novos sessentões da parada. Com uma das obras mais vigorosas que o Brasil já conheceu.


:: por Marcio | 09:19




quinta-feira, junho 24, 2004

Corte

Estou sem luz em casa. Que raiva. O pior é você ser surpreendido com isso, tendo a certeza de que estava tudo pago, tudo certo. Sacanagem.


:: por Marcio | 13:55




quarta-feira, junho 23, 2004

Marcelo Antony e Dr. Albieiri

Fumar é melhor que ver a novela.


:: por Marcio | 18:40






Mais do que nunca

ando precisando sair da solidão.


:: por Marcio | 18:37






Fim do jejum

Fazia horas que não tomava um trago como ontem, de cerveja. Mas foi necessário, afinal. O dia de ontem foi um inferno, daqueles em que a sequencia das coisas vai sendo toda errada. Na saída do trabalho, por volta das 20h, ainda derrubei uma planta no chão. Foi um símbolo perfeito pra um dia horroroso.
E hoje tende a ser um tumulto por aqui, com esse velório do Brizola. Desde ontem tem acampamento na Praça da Matriz...


:: por Marcio | 10:29




terça-feira, junho 22, 2004

A morte do caudilho

Cheguei ontem por volta das dez e quinze da noite em casa, vindo de uma prova fortíssima de Obrigações. Liguei o rádio pra saber das últimas e fico sabendo que morreu o Leonel de Moura Brizola, um dos personagens mais interessantes dos últimos cinquenta anos no Brasil.
Hoje tenho toda uma avaliação muito crítica do trabalhismo, do próprio Briza e do que ele representou, especialmente das coisas que vinha fazendo nos últimos dez anos(quem não lembra que ele foi um dos últimos a largar o Collor de mão?)
Isso não pode fazer eu esquecer que o Brizola era um ídolo na minha casa e, por conseguinte, meu mesmo, até eu descobrir aquele que seria meu caminho: ser petista e, depois, mais socialista que petista(talvez saia do PT hora dessas, mas não creio que deixarei de ser um sujeito que persegue um outro mundo, fora do capitalismo). Foi admirando o carismático Brizola que aprendi a gostar de política. Mesmo que depois tenha conformado minhas convicções de forma diferente, devo ao Velho o gosto pela luta.
Criador de centenas de monstros como César Maia, Garotinho e Rosinha, Collares, Vieira da Cunha, dentre outras malas, o Velho era louco, mudava de rumo a cada mês, mas, reconheça-se, nunca mudou de lado: sempre acreditou que, com suas guinadas, estaria defendendo o país dos "interésses" do capital internacional.
Como disse o mestre dele, Getúlio, ao se referir a si mesmo, mas que se aplica agora ao Leonel: "deixa a vida para entrar na história".


:: por Marcio | 09:41




segunda-feira, junho 21, 2004

Jogar futebol

é bom. Que pena que dá dor nas pernas.


:: por Marcio | 16:16




quarta-feira, junho 16, 2004



Eu detesto lançamentos, ondas, coisas promocionais, cinema arrasa-quarteirão, livro da moda, essas coisas todas. Mesmo quando é alguma coisa que parece boa, eu ainda dou uma relutada. Assim foi a Maria Rita. Filha da Elis, bonita, voz bonita, repertório bom. O que pode dar errado com ela? Nada. Só o massacre midiático pode fazer todo mundo encher o saco. Fora isso...

Então eu demorei... Levei alguns meses até que resolvi comprar o CD dela e não me decepcionei: é uma das melhores coisas dos últimos anos, sem grandes reparos a serem feitos. Maria Rita parece que relutou em ser cantora. Mas como não seria? Ela é alguma coisa muito próxima da perfeição.

Especialmente a primeira música, A festa, mas também a versão dela para Encontros e Despedidas, ambas músicas preciosas do Milton. A última, por sinal, parece que vai ser tema da nova novela da Globo... Então, o que eu tou falando: podem acabar fazendo a massa repunar da mulher...


:: por Marcio | 15:41






Demorô!

Quantas vezes tu já não tiveste aquela sensação, ao ler um autor ou descobrir um som, de que "devia ter descoberto isso antes!"

Foi mais ou menos esse sentimento que me tomou ao ler Netto perde sua alma, do Tabajara Ruas, escritor gaúcho.

Tabajara é um escritor com boa parte de sua obra dedicada a romances históricos, especialmente em torno dos temas da Revolução Farroupilha e essas guerras nossas.

O texto dele é todo muito bem escrito, bem encaixado, com palavras medidas, um belo texto, uma lição de linguagem, antes de qualquer outra coisa.

E a história do livro, em si, é excepcional: a história do General Netto, que foi um grande caudilho do século XIX, o proclamador da República Rio Grandense, dentre outras coisas mais, no seu delírio enquanto morre e alguns episódios de sua vida, especialmente na Revolução Farroupilha.

Excelente leitura pra quem de alguma forma gosta dessa nossa literatura histórico-regional.


:: por Marcio | 09:09